Há dois extremos teológicos que, a meu ver, distorcem o conceito de autoimagem. De um lado, a ideia de identidade influenciada pela atual teleologia coach se utiliza de versículos bíblicos como “nós, a excelência da criação” para afirmar que somos cheios de potencial e que o mundo deve necessariamente nos favorecer. Orgulhe-se, não se frustre! Pense primeiro nos seus interesses! Seja feliz!
De outro lado estão os teólogos radicais, defensores ferrenhos da ortodoxia. Apoiados, por vezes, no conceito da depravação total, deixam de lado a bela verdade da Imago Dei (imagem de Deus em nós) afirmando com veemência que somos indignos de ser amados e não há valor algum em nossas vidas. Estes estão fincados em verdades bíblicas como “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”.
Extremos em geral são trilhas perigosas! Há um santo equilíbrio neste paradoxo: somos amados e pecadores. Diante da cruz de Cristo percebemos a imensidão do amor do Pai e o constrangimento do pecado humano. Somos, sim, amados pecadores e pecadores amados! E esta verdade é de suma importância para o desenvolvimento de uma autoimagem saudável. A verdade da Cruz nos faz caminhar de forma digna e humilde.

