Aceitar-se

Aceitar-se. Este é um dos maiores desafio da vida. Nascemos na terra das comparações. Mal entramos nesta existência, as pessoas ao redor falam: – Ele tem o olho da avó. – O nariz do pai. – A braveza do tio. – Carinhoso como a mãe. Por aí vai… Todos os que nos observam tentam encontrar familiaridade com alguém. E, sem perceber, entramos na cilada de desejar ser quem não somos.

Gosto da passagem onde Deus manda o profeta, filho de um sacerdote, à casa do oleiro para falar com ele. O homem de Deus não deveria ir ao templo para ouví-Lo? Sim, mas o Senhor fala com seus filhos onde e como quer. Ele é Deus! “Quem tem ouvidos para ouvir,  ouça”! Lá o profeta Jeremias ouve o Senhor e entende que Ele é o oleiro e Israel o barro a ser moldado. 

O oleiro está trabalhando, mas o vaso estraga em suas mãos. Porém, para surpresa do profeta, Ele não descarta o vaso estragado. Ele “tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos olhos do oleiro fazer” (Jr 18:4b). A metáfora é simples. O Oleiro decidiu criar e forjar você desta maneira. Então, aceite-se! Saia da ciranda das comparações e seja quem Deus o fez para ser. As mãos do grande Artista te moldou? Sim. Então, honre-O sendo vocês mesmo.

Comecei a ter gastrite nervosa com menos de 30 anos. As questões estomacais no meu caso são genéticas, mas descobri que elas se agravam muito com o estresse. E o meu, naquela ocasião, era tentar ser quem eu não era para agradar os outros. Certo dia, conversando em angústia com Deus, eu questionava a minha inabilidade para certas atividades ministeriais. Então, uma pergunta dos Céus brotou em minha alma. – Por acaso eu ti fiz errado, filho? Obrigado, Pai. Na certeza de quem é o meu Oleiro. “Acaso o objeto formado pode dizer àquele que o formou: “Ele não me fez”? E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”? (Is 29:16).

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