Esse texto é fruto de uma experiência com criança. Elas sempre surpreendem por sua espontaneidade e sinceridade. Expressam livremente os sentimentos a quem quer que seja e, com muita franqueza, falam o que pensam. Características que normalmente se perde nas “relações adultas”. Mas desta vez o que me espantou foi a capacidade para recriar as regras do bom e correto português. Liguei para um amigo e sua filha, que tenho como sobrinha, atendeu. Perguntei: “Sabe quem está falando”? Ela respondeu: “É o tio Lê”. Orgulhoso por ela me reconhecer, repliquei: “Como você sabe”? No auge dos seus quatro anos, ela disse: “Ehhh… vi a sua voz”.
Essa declaração ecoou de tal forma que me levou a refletir sobre a minha capacidade de ouvir e discernir a voz do Mestre. Vivemos num tempo onde nunca se ouviu tanto. Músicas são ouvidas em qualquer lugar, em diversos aparelhos. Os smartphones nos acompanham em tudo. A smart TV oferece canais para todos os gostos. Há ao redor infinitos ruídos, sons, discursos e falas. Em meio a esta poluição sonora, ainda somos capazes de escutar a voz de Deus? Será possível dizer: “ ‘Vi’ a sua voz Senhor! Ela foi clara, pura e tangível!?”
A voz de Jesus guia o perdido, consola o triste, cura o ferido, liberta o cativo, reanima o cansado, afaga o rejeitado, redime o pecador. Escutá-la por alguns instantes é uma experiência mais transformadora do que qualquer estrondo. A busca por Sua voz, no entanto, tem se tornada escassa. Qual foi a última vez que você ‘viu’ a voz de Deus?
Certa vez os apóstolos foram indagados por Jesus se O deixariam. Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna”. Volte-se para Jesus em oração, quietude, silêncio e adoração. Nesta atitude, certamente você verá está doce e poderosa voz novamente.

