Combustão do amor

O que é o amor? Lembro daquele antigo álbum de figurinhas – AMAR É… Quem nasceu perto de 1980 sabe do que estou falando. Eram frases curtas que ilustravam gestos simples de afeto para o universo infantil.

Creio que o AMOR é a soma da equação: DESEJO+CUMPLICIDADE+VIRTUDE. Estes componentes em combustão dão origem à fórmula do amor.

O DESEJO busca a autonomia para escolher os próprios “amores.” Ele reside naquilo que encanta e atrai. É da ordem do “Eros”, palavra utilizada pelos gregos clássicos referente ao belo e ao amor passional. Como diria Santo Agostinho: “Um coração que ama incendeia outro”. E parafraseando o sábio “é aquele embriagar-se nas carícias de quem se ama” (Provérbios 5:19b). São o toque e o afeto tão vitais ao ser humano.

A CUMPLICIDADE, por sua vez, é o partilhar a vida. Está no querer inerente de não estar só. Reside na verdade de que “é melhor ter companhia do que estar sozinho (Eclesiastes 4:9a). Para esta expressão do amor, o termo grego é “filos”, prefixo utilizado em palavras como “filo/sofia” (amigo da sabedoria). É a amizade… a busca do bem do outro e o anseio pela companhia dele.

Por fim, a VIRTUDE é o compromisso moral. Ela mantém firme o propósito da fidelidade ao outro. O poema Soneto da Fidelidade exemplifica: “De tudo, ao meu amor serei atento; Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto; Que mesmo em face do maior encanto; Dele se encante mais meu pensamento”. A VIRTUDE deve governar o DESEJO. É o amor que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Coríntios 13.7). Não desiste, nem abandona ou descarta. É uma aliança.

Amar é… Desejo + Cumplicidade + Virtude. Quando esses elementos entram em combustão nasce a mais poderosa chama do amor.

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