Embaralhados pela Intimidade

Na minha casa tem um pé de jabuticaba, onde de tempos em tempos brotam frutos que mais parecem negras bolas de gudes. Quando elas explodem na boca… hum, que delícia! Ao pé da árvore foi plantada o que eu pensava ser uma rasteira, com pequenas flores lilases, que precisa ser podada com frequência para não invadir o quintal. Mas algo interessante ocorreu depois da última poda; a planta decidiu subir e se agarrar  ao tronco e galhos, “decorando” a jabuticabeira. Thaís, a minha esposa, gostou do resultado visual em que as folhas de uma se confundem com as folhas da outra. 

O mesmo ocorre quando regamos o amor naquela vida simples e corriqueira. Quando nos damos conta a intimidade é tamanha que já não fica claro, como diria a escritora espanhola Rosa Monteiro, “onde você termina e o outro começa”. Sabemos que somos indivíduos criados de forma única. Mas nesta mistura de galhos e ramos nos perdemos e nos achamos um no outro. Acredito que assim, com as folhas misturadas, podemos viver a afirmação do Mestre: “… deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois uma só carne”. (Gênesis 2:24). E pela graça do Pai, vamos frutificando e florescendo, “embaralhados pela intimidade”. Encerro com a  frase do bem humorado Chesterton: “A coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns”. 

Outros posts
Categorias

Nos envie seu testemunho

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e pelo Google. Aplicam-se Política de Privacidade e Termos de serviço.