Era a entrada do prédio onde morávamos. Sempre amei carregar o Heitor no colo, de barriga para frente, como um homem mais experimentado apresentando o mundo ao redor.
— Filho, esta é a amendoeira. Este é o pombo. Aqui está a areia. Lá, o céu azul. Sinta o cheiro do maracujá… e o ar fresco da chuva.
Mas ele se emancipou dos meus braços e resolveu andar.
Naquele dia, saiu caminhando um pouco atabalhoado, encostou na parede e percebeu uma textura diferente… era uma peça de granito áspera que surpreendeu o seu tato. Logo me olhou, curioso, como quem diz: “não entendi”.
Segui mais adiante com ele. A parede ficava lisa, e pedi que passasse a mão. Ele o fez. Eu disse: “esta é lisa”… e apontei para a outra: “aquela é áspera”.
Ele se alegrou e ficou ali por um tempo, passando ora a mão na parede lisa, ora na áspera — com entusiasmo e sorriso.
Como é bom descobrir e aprender coisas novas.
Por que, na vida adulta, tudo vira tédio tão rapidamente? Onde foi parar a curiosidade? E o interesse de aprender? Por que tantos adultos acham que já sabem de tudo?
Assim, tornam-se repetitivos, previsíveis… e, no fundo, um pouco vazios.
Precisamos redescobrir paredes ásperas e lisas para desfrutar um pouco mais desta breve vida. A verdade é que quem perde o interesse de aprender começa a secar por dentro, mesmo que ainda pareça vivo por fora.

