Caminhando na praia com a minha filha Luma, entramos casualmente numa conversa sobre envelhecer. Eu disse que daqui a pouco o Heitor seria um adolescente. Sempre espontânea, ela respondeu: – Pai, eu já orei para que a gente fique para sempre do mesmo tamanho, vocês adultos e nós crianças. E que a gente morra todos juntos, para chegar no céu juntos também. Sei que a resposta tem os equívocos de uma criança. Mas me fiz solidário ao desejo dela. Respondi: – Filha é tão bom estarmos juntos! Não é? E mentalmente orei: – Pai, ajuda a minha pequena a lidar com os mistérios da vida e da morte.
Na mesma noite fui surpreendido por um e-mail de remetente desconhecido. O título “Apresentação Vida” chamou a atenção. Abri. Fui surpreendido por valores “promocionais” da “Assistência Funeral Prime”. Perguntei: – Como conseguiram o meu contato? Acho que cheguei a certa idade onde este assunto é mais real do que para uma criança…
Gosto destes verso da Teresa de Ávila:
Vivo sem em mim viver;
E tão alta vida espero;
Que morro de não morrer.
Ai que longa é esta vida!
Que duros estes desterros! Este cárcere, estes ferros;
onde a alma está metida!
Só de esperar a saída;
me causa dor tão sentida,
Que morro de não morrer
Filha, sei que no momento certo da vida a sua súplica será semelhante a da Tereza: “Morro de não morrer”. Na certeza de que “viver é Cristo e morrer é lucro” (Fp 1:21).

