Des-Perdão

Esta palavra chamou a minha atenção quando a ouvi durante um atendimento. Lembrei de uma ilustração que o meu professor de Aconselhamento Bíblico usou há mais de 20 anos: “O perdão é semelhante ao sino tocando na torre da igreja. Lá embaixo fica o coroinha puxando a corda. A certa altura ele a solta, permitindo que as badaladas cessem espontânea e gradativamente ”. Ele então concluía que “largar a corda” seria não levantar mais a questão para o ofensor, para uma outra pessoa, para si mesmo e para Deus. Concordo que o perdão começa com a escolha de “largar a corda”. Mas a cura da alma atravessa um processo mais complexo e profundo. 

O que fazer com as memórias, consequências e feridas que a atitude do outro proporcionaram? Elas podem continuar a assombrar contra a nossa vontade e causar sentimentos paradoxais e confusos. Então, aqui peço respeitosa licença para discordar do meu professor; acredito que podemos sim –  E DEVEMOS – conversar com Deus e nEle encontrar refrigério para a alma quantas vezes forem necessárias. Perdoar não é um passe de mágica que apaga as lembranças. É sim um imperativo para o cristão que foi integralmente perdoado por Cristo. Por isso, somente nEle, com Ele e por Ele o perdão se torna possível. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30).” Ir até Ele repetidas vezes não é ‘des-perdão’, mas parte do processo – por vezes bem doloroso – de perdoar. Encerro esta reflexão com um recorte da oração modelo: “Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos os que nos ofendem (Mt 6.12).” Que Ele nos ensine.

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