O sol bocejou para mim com os primeiros raios de um novo dia. Coloquei as mochilas das crianças no carro. Tenho o privilégio de levar e buscar os meus filhos na escola. Na ida o silêncio impera num ambiente de sonolência, mas no retorno as conversas dominam. Os amigos, professores, conteúdos aprendidos, as provas, o lanche… São alguns dos assuntos da pauta.
A vida na atualidade é marcada pela cultura do espetáculo, do show. Há uma aspiração generalizada para não se entediar. Será que ainda há prazer no ordinário? Na rotina? Percebo que a compulsão pelos extraordinários esvazia a vida cotidiana de significado. Amanheci na tentativa de encontrar a vida de Deus no meu ordinário.
O sol e o discurso silencioso no percurso até a escola me tocaram. Exigi beijos dos meus filhos na porta de entrada; eles agora me dão a cabeça, não mais o rosto, mas tasquei um beijo em cada um. As memórias afetivas construídas nos gestos simples sustentam a vida em caminhos mais árduos.
Se de repente o extraordinário me alcançar ficarei muito feliz. Mas quero aprender a saborear os momentos. E cantar com o salmista: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele.”
Quais assuntos me esperam no retorno da escola?

