Entramos no mar. Vivendo longe do litoral por alguns anos. O reencontro com a água salgada foi marcado por êxtase, frescor e memórias. Tomados pelo impulso, cheios de saudade, tiramos as havaianas, arrancamos as regatas e: “tchibuuuuuummmm”!!! Eu e o Heitor nos deliciamos com todos os sentidos. O tato sentiu o impacto d’água refrescante; a visão se deparou com as ondas que se formavam no horizonte; o olfato reencontrou o perfume da maresia; o sabor do sal marinho tocou o paladar; por fim um som chamou a atenção aos ouvidos depois das primeiras ondas: – Shiiiisss… Os caiçaras sabem que som é esse! Bilhões de bolhinhas brancas explodindo na espuma emitem esta onomatopeia.
O descanso pode e deve ser contemplado. Mas percebo que esta é uma necessidade humana negligenciada. Vejo três principais razões para isso. A cultura do empreendedorismo estabeleceu que parar para relaxar é para os fracos e acomodados. Depois, a busca obsessiva pelo dinheiro motivada pelo capitalismo atrela o tempo ao lucro (Time is Money ). Por fim vem a confusão feita entre descanso e entretenimento. Gosto de montanhas russas mas o repouso que refaz a alma pode estar também na quietude. O entretenimento enche a agenda de atividades e adrenalina nos dias em que talvez a real necessidade seja aquietar-se. A percepção da presença do Criador para o homem pós-moderno tem se perdido porque desprezamos o “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10a).
Shiiisss… O Senhor do Universo se faz presente. Usufruo com mais intensidade dos cinco sentidos quando me rendo a estes braços de amor; quando enfim, descanso.

