Des-pensar talvez seja uma das tarefas mais importantes para o crescimento pessoal e espiritual. Desde a tenra idade os nossos pensamentos são constituídos pelo que outros falam – de bom ou ruim – a nosso respeito. Estes discursos chegam através de palavras, gestos, olhares e silêncio. Alguém disse que “antes de sermos um ser falante, somos um ser falado”. A certa altura da vida, sob a influência deste fator externo, passamos a pensar e falar internamente sobre nós mesmos. Há uma ligação intensa entre o pensar, o sentir e o viver. Pense um pouco: quais “falas” te acompanham? Será que algumas das afirmações mais interiorizadas por você têm atrapalhado a sua caminhada?
“Cuidado, a vida é perigosa!” “Você não faz nada direito!” “Deixa de ser burro, menino!” Ou ainda: “Você é o melhor!” “Ninguém é inteligente como você!” “Minha filha sempre foi a mais bonita da classe!” Talvez tenhamos ouvido uma destas frases em algum momento. Como elas são assimiladas por cada pessoa é um mistério, mas são capazes de lançar raízes no coração e deformar a autoimagem, prejudicando muito a jornada neste mundo. Em contrapartida, reconhecer e “des-pensar” estas falas enganosas podem conduzir a uma vida de liberdade.
“Porque, como imagina em sua alma, assim ele é” – afirma o sábio (Provérbios 23:7). Como podemos “des-pensar”? Alguns campos da ciência têm trabalhado este tema. Mas acredito que o caminho mais eficiente é a experiência de fé em Cristo. As fortalezas dos pensamentos escravizantes enfraquecem à medida que a consciência da graça e do amor do Pai cresce. Surgem daí as verdades sobre nós que nos habilitam para atitudes saudáveis para conosco, com o outro e a vida. “(…) Transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). É possível que para o processo de “des-pensar” seja necessário ouvir a voz do Pai: “Este é meu filho amado”; “Não tema porque sou contigo”; “Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”; “Cada um de vocês não pense de si mesmo além do que convém”. E o apóstolo Paulo confirma: “Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1Coríntios 2:16). Que assim seja. Amém!

