Sofri um grave acidente de carro na década de 90. Jovem, andando bem longe da casa do Pai, tentava preencher o vazio do coração em lugares errados. As noites de Niterói e Rio eram os locais escolhidos. Certa ocasião retornava da Lagoa com um amigo na direção do carro, velozmente animado às 4 horas da madrugada, a mais de 120km/h. Descendo o vão central da Ponte Rio-Niterói, ele perdeu o controle do carro. A lateral do veículo arrastou na mureta de proteção. Gritei o nome dele. Creio que ele dormiu ao volante, porque levou um susto e… A pancada contra a mureta foi violenta! Boom!!! O cinto de segurança salvou a minha vida mas o impacto quebrou a minha clavícula. Foi assustador! O carro teve perda total e a minha fé renasceu em meio ao caos.
Um mensageiro da misericórdia divina calcificou na minha clavícula direita. Um calo ósseo que revela a fidelidade do Pai a mim. Tentei escapar da face do Salvador mas fui vencido por seu amor. Atropelado por sua graça! “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama.” (Hb 12:5b-6a).
O meu corpo doía; na maca do hospital público eu esperava ansioso pela chegada da minha mãe. Lembro de ficar olhando de canto de olho a imagem dela vindo ao meu encontro. O coração aliviou quando ouvi os seus passos e o olhar dela fixou ao meu. Presença de mãe tem grande poder. “Mãe, ora por mim… Não posso mais levar esta vida”, pedi. Ela orou e Deus ouviu. Continuo sendo um pecador mas não mais desgarrado do Pai. Certo de que a “misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13b). Hoje, quando a vida aperta, passo a mão no ombro sobre o mensageiro calo ósseo e relembro: “Deus me ama!”

