Sou “gostoso”

Certa feita me senti como uma bola de sorvete de chocolate ou um pote de Nutela. Ouvi em alta e terna voz que eu era “gostoso”. Tremi por dentro e fiquei em  perplexo silêncio. Talvez apenas por um longo segundo.

A situação era a seguinte. O sofá de casa havia se tornado um verdadeiro ringue de UFC. Eu tinha dois oponentes ferozes: meus filhos. Obviamente eu estava vencendo na força e nos ataques de cócegas e beijos. Mas no auge da luta minha pequena Miss Universo subiu nos meus ombros, apertou o meu pescoço e cabeça, e me finalizou com as palavras: “Papai é gostoso”! Meu Deus, que sensação é essa?! Fui imobilizado pelo afeto dos afetos! Fui nocauteado pelo amor de uma menina que está aprendendo a ler!

Por que na vida corremos atrás do reconhecimento daqueles que mal conhecemos? Buscamos os “likes” de quem nunca veremos? Ansiamos pela aceitação de quem nem se importa conosco? De quem você precisa ouvir que a sua presença é importante?

Quanto tempo estive fora de casa achando que era o meu dever e privei os meus filhos da minha companhia. Quanto tempo perdi estando presente, mas emocionalmente ausente dos meus.

Hoje descobri que o mais gostoso é ser gostoso para os que me amam de graça. 

Deus me ajude a não esquecer tão preciosa lição. Pois “com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma” (Provérbios 24:3).

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