Hoje moro no centro-oeste do Brasil e novas fauna e flora me foram apresentadas. Encantei-me com as formas, tamanhos e flores das árvores. E achei bem interessante ter contato com outras espécies de animais, incomuns ao litoral. Certo dia eu retornava com os meus filhos da escola e nos deparamos com um engraçado e serelepe mico na garagem do prédio.
Ele subia e descia de uma mureta. As crianças ficaram super empolgadas com a novidade, uma vizinha trouxe uma banana e insistia em oferecer ao pequenino que permanecia indiferente. De repente ouvi um som agudo e curto que prontamente foi respondido pelo nosso amiguinho. Surgiu no horizonte um segundo mico. E como se eles conversassem foram para uma parte do muro onde ficava o jardim. Lá observei um beija-flor agitado que, como um caça de guerra, dava voos rasantes em direção aos miquinhos; estes, como o King Kong não alteravam as passadas sobre os galhos das árvores.
A cena alegre ficou tensa e tomou um ar de dramaticidade quando percebemos que eles estavam avançando contra o ninho ocupado por dois filhotes do pássaro. Um cenário de horror tomou o coração todos. Meu filho desesperado balançava a árvore numa tentativa de frustrar a intenção dos perversos micos. Mas não adiantou. Como num assalto orquestrado um dos micos atacou o ninho e comeu a cabeça do primeiro filhotinho; logo depois fez o mesmo com o outro. Aqueles que, a princípio, encantaram os nossos olhos com sua alegria e agito, em segundos se tornaram vilões cruéis. O cenário ficou tão triste que pela primeira vez ouvi o choro de um beija-flor. Um som que não conseguiria descrever.
Escutei na cerimônia do Oscar a seguinte frase: “Busque sempre o que há de melhor nas pessoas, mas espere sempre o pior delas”. Somos semelhantes aos micos, capazes de promover o belo e o caos. Temos um potencial inato para destruir. Por este motivo o apóstolo exorta: “Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade (…)” (Cl 3:8). Mesmo que pareçamos “inofensivos”, se não calarmos a nossa maldade faremos muitos chorarem como o pobre beija-flor.

