Auto Sabotagem e a Graça Divina

Fui fazer uma ultrassom do ombro e punho direitos. Ambos apresentavam os sinais do tempo, com aquelas dorzinhas com que se aprende a conviver. O clínico desconfia de síndrome do túnel do carpo. Chique, né?!

Cheguei cedo para o exame, sentei e abri um material de estudo cujo título é “O ciclo de auto sabotagem”. Um conteúdo para somar ao conhecimento na minha área de atuação.

Como de costume me aproximo do texto para aprender algo novo, mas sempre usando as lentes da cosmovisão cristã. A leitura começou sem muito entusiasmo; depois foi me envolvendo e, por fim, me acertou em cheio! Enxerguei-me nas cenas descritas pelo autor! Percebi o quanto a relação equivocada com a culpa e o fato de não se encarar e superar os “fantasmas” antigos minam as realizações do presente. 

Como resultado, perdemos tempo em relacionamentos destrutivos, boicotamos as possibilidades das coisas caminharem bem e, por fim, duvidamos daquilo que Deus é capaz de fazer em, por e através de nós. Fiz os exames e saí desnorteado em direção ao Correio.

Andando pelo centro uma senhora à porta de uma loja disse: “Jesus te ama”! Olhei para trás e me deparei com um forte olhar e um sorriso largo. Era a mim que a “profetiza” se dirigia. Sorri e segui. Depois, fui buscar as crianças na escola. Estava inquieto pensando em como sou atrapalhado e no quanto o caminho da auto sabotagem havia me roubado. À tarde um compromisso foi cancelado. O “imprevisto” me fez lembrar do recado que ouvi pela manhã – “Jesus te ama”. O fato de  Ele me amar precede o enfrentar racional e emocionalmente as minhas questões. Creio que a cura mais plena da alma está mergulhada no amor gracioso do Cristo. Por hora trago à memória o refrão da música Confiança: “Pai, Deus poderoso tem compaixão de mim. Preciso da tua graça abundante aqui. Quebra o meu coração e salva-me de mim”.

Preciso encarar o meu autoengano e minhas motivações pecaminosas sem esquecer o quanto Deus me ama apesar de quem sou. E rogo para que eu não seja complacente com a minha autocrítica, mas que esta esteja alicerçada na graça que me liberta de mim mesmo. “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam” (Salmos 63:3).

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