Hoje pela manhã fui surpreendido por uma notícia que atravessou a minha alma — um colega do jiu-jítsu tirou a própria vida. E, com isso, não veio apenas a tristeza profunda. Veio um turbilhão de pensamentos, perguntas que não se calam, inquietações que pesam fundo.
O que está acontecendo? O que leva um jovem a desistir da própria existência?
Tenho a impressão de que estamos diante de uma geração que carrega uma dor que nem sempre conseguimos compreender. Uma angústia silenciosa, profunda, muitas vezes invisível. Uma geração que vive em um mundo que exige desempenho máximo a todo instante — ser o melhor, o mais forte, o mais reconhecido, o mais bem-sucedido.
As redes sociais, que prometiam conexão, tornaram-se vitrines de comparação constante. E, nesse palco implacável, quem não alcança o “ideal” se sente insuficiente, menor, fora do lugar.
Mas há um paradoxo doloroso nisso tudo.
Nunca estivemos tão conectados — e nunca fomos tão solitários. Nunca houve tantas formas de comunicação — e tão pouco pertencimento real.
As relações tornaram-se frágeis, superficiais, descartáveis. E, no meio de um mundo tão vasto e tão barulhento, muitos jovens se sentem perdidos, abandonados, sem um lugar onde verdadeiramente pertençam. Essa solidão existencial vai apertando o coração, silenciosamente, até que, para alguns, a dor se torna simplesmente insuportável.
E, muitas vezes, nós — de uma geração anterior — olhamos para isso com julgamento. Dizemos que não suportam nada, que são frágeis, que não toleram a frustração. Mas talvez esse seja um erro. Talvez, antes de rotular, precisemos compreender.
Porque essa geração não surgiu do nada. Ela é fruto da nossa.
E então a pergunta muda de direção. Já não é apenas sobre eles — é sobre nós também.
Qual legado deixamos? O que transmitimos — ou deixamos de transmitir — sobre sentido, propósito e o valor da vida?
Se hoje há jovens que não encontram razão para existir, será que parte disso não revela também falhas nossas? São perguntas que precisamos ter a coragem de fazer.
Estamos diante de uma geração fraca ou sobrecarregada?
A verdade é que esta geração está desconectada do sentido e carente de vínculos verdadeiros. Uma geração que precisa, mais do que nunca, ser compreendida, acolhida e conduzida de volta ao que realmente importa: pertencer e ser amado.
No tatame, meus colegas me chamam carinhosamente de pastor. Sempre com um sorriso, com aquele afeto genuíno de quem treina e cresce junto. Eu rio, aceito o “título” com carinho — e hoje, diante dessa dor, lembro por que ele faz tanto sentido.
Pastor é quem não deixa nenhuma ovelha para trás.
E foi pensando nisso que uma pergunta ecoou no fundo do meu coração:
Onde Jesus, o supremo Pastor, estaria hoje, diante desse cenário de dor, angústia e desespero?
Sem hesitar, eu sei a resposta.
Ele estaria exatamente onde sempre esteve.
No meio dos cansados.
Ao lado dos sobrecarregados.
Perto dos que perderam o sentido.
E diria, mais uma vez:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
(Mateus 11:28–30)
Creio profundamente que a fé em Cristo continua sendo, ainda hoje, o caminho de alívio e salvação para a alma humana. Um lugar onde o peso da existência encontra descanso. Um convite a reaprender a viver com sentido — especialmente em meio ao caos existencial dos dias atuais.
Que Cristo nos ajude a atravessar este tempo.
E que, antes de julgarmos, aprendamos a olhar — com compaixão, com responsabilidade e com amor.

