“Chêa a fô”

Achei que meu filho se tornaria um botânico quando tinha 2 anos. Os passos acelerados de uma criança exploradora decidiram parar e contemplar o cheiro das flores. Independente  do tamanho, cor ou beleza, ele parava, se aproximava, cheirava, virava o rostinho para cima e dizia: – “Chêa a fô”, papai. E a cena se repetia durante as caminhadas no meu dia folga… Era uma convocação a desacelerar e viver o momento. Filho, flor, pai, amor e instante. “Chêa a fô” é um grito de socorro para os corações de uma sociedade tão, tão… Fast! 

A vida acelerou! O chat GPT traz respostas instantâneas que levaríamos horas para encontrar numa grande biblioteca. O que os protótipos levariam horas para moldar a impressora 3D executa em minutos. Quase já não existe o furo de reportagem no jornalismo, pois o fato que ocorre na China chega ao Brasil em 3 segundos. A mente está agitada diante das mudanças. Nada pára; a ansiedade é endêmica. Ante ao caos, surge um gentil pedido na minha memória: “Papai, chêa a fô”.

Não podemos mudar as eras. Mas temos o dever de reconhecer os limites pessoais e guardar a mente. O apóstolo Paulo aconselhou a igreja de Roma por volta de 60dC: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. O que você tem experimentado? É nítido que o avanço tecnológico trouxe melhorias para a vida, medicina, transporte, etc. Mas a alma não pode ser arrastada pela veloz correnteza dos dias atuais. Renove a mente!  E siga o conselho do Heitor: “Chêa a fô”mais próxima.

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